Foto de: LM
quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009
Últimos dias antes do abate são vividos em "condições miseráveis"
Muitos dos animais recolhidos na rua e que ficam nos canis municipais à espera de um dono, ou de serem abatidos, passam esses dias em "condições miseráveis" e de "desrespeito" pelas normas de bem-estar animal, denunciou hoje uma associação.
Para a presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal (LPDA), Maria do Céu Machado, o abate dos animais recolhidos na via pública deve ser substituído por condições que promovam a sua adopção, um trabalho que "deve envolver todos: população, escolas e autarquias".
Maria do Céu Machado falava a propósito da comemoração da Declaração Universal dos Direitos do Animal, que se assinala quinta-feira. A LPDA gostaria de assinalar a efeméride com um apelo para as autarquias "assumirem um comportamento mais humanitário para com os animais".
Fotos retiradas da inernet
terça-feira, 8 de Dezembro de 2009
Na Fábrica Onde Eu Trabalhava
Na fábrica onde eu trabalhava havia muito frio
Mas os meus camaradas sorriam e contávamos histórias uns
aos outrosde vez em quando encandeávamo-nos e esfregávamos os olhos
depois olhávamos admirados a perfeição da soldadura
medíamos dobrávamos batíamos ferro
e era como se pouco a pouco algo dentro de nós se construísse
tínhamos ali as nossas entranhas e o nosso jardim
e aquilo era como a nossa horta ou a nossa casa à hora do almoço
José Vultos Sequeira
[Mora, 1944]
Foto de: LM
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Poemas e Poetas
segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009
Plano de Evasão - Adolfo Bioy Casares
27 de Janeiro.
22 de Fevereiro.
A primeira tarde nestas ilhas ainda não acabou e já vi algo nenhuma delicadeza. Tentarei explicar-me ordenadamente.
Este é o primeiro parágrafo da primeira carta do meu sobrinho, o tenente da marinha Henrique Nevers. Entre os
amigos e os parentes não faltará quem diga que as suas inauditas e pavorosas aventuras parecem justificar este tom alarmista,
mas que eles, os "íntimos", sabem que a verdadeira justificação reside no seu carácter pusilânime. Eu encontro naquele parágrafo
a proporção de verdade e de erro a que podem aspirar as melhores profecias; além disso, não creio que seja justo definir Nevers como cobarde.
É certo que ele próprio reconheceu que era um herói totalmente inadequado às catástrofes que lhe aconteciam.
Não devemos esquecer quais eram as suas verdadeiras preocupações nem o extraordinário daquelas catástrofes..
Desde o dia em que parti de Saint-Martin, até hoje, irreprimivelmente, como se estivesse a delirar, pensei em Irene, diz Nevers com a sua habitual falta de pudor, e continua:
Também pensei nos amigos, nas noites de conversa num qualquer café da Rue Vauban, entre espelhos escuros e na (...)
da Cavalo de Ferro
"Casares é um dos maiores escritores
de toda a América Latina."
Jorge Luis Borges
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Livros e Escritores
domingo, 6 de Dezembro de 2009
sábado, 5 de Dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
Haidar termina greve de fome, regressa a El Aaiún
A activista saarauí Aminatu Haidar decidiu hoje abandonar a greve de fome que mantinha há 19 dias no aeroporto da ilha espanhola de Lanzarote, depois de ter aceite a oferta para regressar a El Aaiún.
Carmelo Ramirez, presidente de uma federação de instituições de solidariedade com o Saara Ocidental, disse à agência Efe que um avião vai levar Haidar a El Aaiún, acompanhada por um médico e pelo chefe de gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol.
De acordo com a AFP, que cita fonte policial do aeroporto de Lanzarote, a militante pró-Polisario partirá hoje à noite.
Notícia da: Lusa
Foto, retirada da Internet.
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Causas
quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
Funeral de Fernando Pessoa
.[30 de Novembro de 1935 - «Lisboa foi surpreendida pela notícia da morte brusca de FERNANDO PESSOA, um dos maiores Poetas de Portugal e uma das grandes figuras da sua geração. O prestígio do autor de "ORPHEU" e da "MENSAGEM" era imenso nos nossos meios intelectuais. Deixa uma obra notável, em grande parte inédita, e cujo nome irá crescendo à medida que o tempo for passando... representa uma perda irreparável para a inteligência nacional»
- Comunicação da morte do Poeta, dada pelo Semanário "BANDARRA".]
.
{ÚLTIMA FRASE ESCRITA PELO PUNHO DO POETA NO DIA DA MORTE:
.«I know not what tomorrow will bring »}
.Pensamento do dia, para 30 de Novembro de 2009
.
"É talvez o último
dia da minha vida.
Saudei o Sol, levanto
a mão direita, mas
não o saudei dizendo-lhe
adeus. Fiz sinal de
gostar de o ver ainda,
mais nada."
.F. Pessoa
REPRODUÇÃO DA NOTÍCIA DA MORTE E ENTERRO DADA PELO “DIÁRIO DE NOTÍCIAS”
.MORREU FERNANDO PESSOA
Grande Poeta de Portugal
«Fernando Pessoa, o poeta extraordinário da «Mensagem», poema de exaltação nacionalista, dos mais belos que se tem escrito, foi ontem a enterrar.
( In Blog ALFOBRE , escrito por César Ramos)
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Poemas e Poetas
segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
Pela libertação imediata de Aminatou Haidar
Aminatou Haidar está em greve de fome, no aeroporto de Lanzarote, desde 14 de Novembro, quando foi para ali expulsa pelas autoridades marroquinas ao regressar ao Sahara Ocidental, vinda de uma viagem aos Estados Unidos onde recebeu um prémio de Coragem Civil, atribuído pela Fundação Train.
Supostamente, foi detida porque se recusou a assumir a nacionalidade marroquina num formulário de aeroporto. O passaporte foi-lhe então confiscado pelas autoridades marroquinas, mas a falta de passaporte, singularmente, não impediu que um avião comercial aceitasse transportá-la.
O estado de saúde da mais proeminente activista saharaui, agravado por uma úlcera no estômago, torna-se mais preocupante a cada hora que passa.
Escrevi, por isso, na semana passada, uma carta à presidência em exercício da União Europeia pedindo que tome medidas urgentes para pressionar as autoridades relevantes no sentido de permitirem o regresso de Aminatou ao Sahara Ocidental. Três colegas espanhóis (dois do PSOE) assinaram-na comigo.
Há dias, tinha também assinado, conjuntamente com mais eurodeputados, um apelo para a libertação imediata desta activista que é vista pelos seus apoiantes como a 'Gandhi do Sahara'. Isto depois de uma proposta para uma resolução de urgência do Parlamento Europeu sobre o caso ter sido boicotada... por eurodeputados espanhóis...
Aminatou Haidar esteve em Lisboa em 2007, participando numa sessão publica sobre o Sahara Ocidental comigo e o Miguel Portas. Os portugueses não podem ficar indiferentes a sorte desta lutadora pelos direitos do seu povo, numa luta em muito semelhante à do povo de Timor Leste. E tempo de abordar o MNE e pedir-lhe que se pronuncie e que intervenha. Temos de salvar Aminatou!
(In Blog Causa Nossa - assinado por Ana Gomes)
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Causas
Fernando Assis Pacheco
A Profissão Dominante
Meu Deus como eu sou paraliterário
à quinta-feira véspera do jornal
nadando em papel como num aquário
ejectando a minha bolha pontual
de prosa tirada do receituário
onde aprendi o cozido nacional
do boçal fingido o lapidário
- fora algum deslize gramatical-
receio que me chamem extraordinário
quando esta é uma prática trivial
roçando mesmo o parasitário
meu Deus dá-me a tua ajuda semanal
A Musa Irregular, 1996
Fernando Assis Pacheco, faleceu a 30 de Novembro de 1995
Foto retirada da internet.
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domingo, 29 de Novembro de 2009
sábado, 28 de Novembro de 2009
sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
O Cacilheiro - José Carlos Ary dos Santos
comboio de Lisboa sobre a água:
Cacilhas e Seixal Montijo mais Barreiro.
pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa.
Na ponte passam carros e turistas
iguais a todos que há no mundo inteiro,
mas embora mais caras a ponte não tem vistas
como as dos peitoris do Cacilheiro.
Leva namorados
marujos soldados
e trabalhadores
e parte dum cais
que cheira a jornais
morangos e flores.
Regressa contente
levou muita gente
e nunca se cansa,
Parece um barquinho
lançado no Tejo
por uma criança
Num carreirinho aberto pela espuma
lá vai o Cacilheiro Tejo à solta,
e as ruas de Lisboa sem ter pressa nenhuma
tiraram um bilhete de ida e volta.
Alfama Madragoa Bairro Alto,
tu cá tu lá num barco de brincar
metade de Lisboa à espera no asfalto
e já meia saudade a navegar.
Se um dia o Cacilheiro for embora
fica mais triste o coração da água
e o povo de Lisboa dirá como quem chora,
pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa.
Foto de: LM
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Poemas e Poetas
quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
terça-feira, 24 de Novembro de 2009
Rómulo de Carvalho - (1906-1997)
Na cidade do corpo onde é que mora
a fonte da Poesia?
Em que lugar, neste momento, agora,
anónimo colóide se decora,
todo de espinhos e grinaldas feito,
no despertar insone, morno e plácido,
de algum aminoácido
insuspeito?
Num lodo com prata, gelatina
gomosa, brandamente
se aglutina.
Tanta gente num ponto, tanta gente!
Aí tudo se esconde,
a voz que busca e a voz que não responde,
a voz de fios de seda, o novelo de linhas
com que se cose o céu e a terra,
rampa de lançamento,
armamento
de guerra.
Mas ela,
a fonte da Poesia?
A que nunca adormece
nem fenece.
Socorro!
S.O.S.!
Sentinela
do morro.
Favela
de mendigos estirados ao sol sobre restolhos
catando as estrelas do corpo como se fossem piolhos.
Onde?
ONDE?
Foto, retirada da Internet
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Poemas e Poetas
segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
Conserveira de Lisboa
Empresa familiar desde 1930, especializada em conservas de Atum , Sardinhas, Bacalhau, Anchovas
Loja tradicional património municipal, Armazenista e Exportador ..
Rua dos Bacalhoeiros
Fotos de: LM
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Lojas de Rua
Sol a tentar espreitar, p`la cortina de nevoeiro
Houve um tempo em que minha janela se
abria sobre uma cidade que parecia ser
feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas
todas as manhãs vinha um
pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a
mão umas gotas de água sobre as
plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para as
plantas, para o homem, para as gotas de
água que caíam de seus dedos magros e
meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes encontro
nuvens espessas. Avisto crianças que vão
para a escola. Pardais que pulam pelo
muro. Gatos que abrem e fecham os
olhos, sonhando com pardais. Borboletas
brancas, duas a duas, como reflectidas no
espelho do ar. Marimbondos que sempre
me parecem personagens de Lope de
Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes,
um avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar,
para poder vê-las assim.
"A Arte de Ser Feliz" de Cecília Meireles
Poema, aconselhado por Palma, do http://www.louletania.com/
Foto de: LM
domingo, 22 de Novembro de 2009
Abandono ou Fado de Peniche - David Mourão-Ferreira
foram-te longe encerrar.
Tão longe que o meu lamento
não te conhece alcançar.
E apenas ouves o vento.
E apenas ouves o mar.
"Levaram-te, era já noite:
a treva tudo cobria.
Foi de noite, numa noite
de todas a mais sombria.
Foi de noite, foi de noite,
e nunca mais se faz dia.
"Ai dessa noite o veneno
persiste em me envenenar.
Ouço apenas o silencio
que ficou em teu lugar.
Ao menos ouves o vento!
Ao menos ouves o mar!"
Foto de: LM
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sábado, 21 de Novembro de 2009
Para ler, numa tarde de chuva
Os poucos habitantes de El Idilio, mais um punhado de aventureiros chegados das redondezas, estavam reunidos no cais, esperando a vez de se sentar na cadeira portátil do doutor Rubicundo Loachmín, o dentista, que aliviava as dores dos seus pacientes graças a uma curiosa espécie de anestesia oral.
- Dói-te? - perguntava ele.
Os pacientes, aferrados aos braços da cadeira, respondiam abrindo desmesuradamente os olhos e a suar em bica.
Alguns pretendiam retirar das respectivas bocas as mãos insolentes do dentista e responder-lhe insultando-o como ele merecia, mas as suas intenções esbarravam nos braços fortes e na voz autoritária do odontologista.
- Quieto, carago! Tira as mãos! Já sei que dói. E quem é que tem culpa? Quem? Eu? Quem tem culpa é o Governo! Mete isso bem na moleirinha. O Governo é que tem culpa de teres os dentes podres. O Governo é que tem culpa de te doer.
Luis Spúlveda, "O Velho Que Lia Romances De Amor"
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